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quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Tu" ou "Vous"?

Se tem uma coisa que me confunde na língua francesa é a utilização do pronome de tratamento "Tu" e "Vous", pois aqui saber usar esse pronome é regra geral de boa convivência, e sobretudo, de boa educação.
Na verdade, quando cheguei aqui ja notei a diferença do Brasil; nem todo mundo é camarada, nem todo mundo é amigo, nem todo mundo é íntimo, logo, aqui, temos que saber diferenciar o "tutoyer"(Tu) e o "vouvoyer"(Vós).
Mas "ce n'est pas gagné", parece fácil falando assim mas não é não.
No começo eu tratava a todos por "tu", como no Brasil, mas percebia que algumas pessoas não gostavam e me olhavam "de canto de olho". Depois de passar por vários micos, finalmente entendi e comecei a tentar diferenciar os dois, assim, passei a "vouvoyer" as pessoas que não conhecia muito bem, o problema é que também não dava certo (pelo menos não totalmente), pois muitos me falavam: Ah, on peut se tutoyer, pas de problème!  
Aí minha cabeça virou um nó só, não sabia mais o que deveria usar, pois ao mesmo tempo que você quer ser educado, não quer ser careta, né?
Se eu pudesse trazer uma coisa do Brasil para a França (entre muitas coisas) seria essa camaradagem brasileira, essa falta de formalidade, que finalmente, é uma qualidade. Alors, on se tutoie???

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Beaubourg e suas singularidades!

As vantagens de estudar em Beaubourg são muitas, é por isso que vou lá todos os dias, tirando os dias de preguiça extrema claro! Gosto de ir lá porque é uma das unicas bibliotecas em Paris que fica aberta até as 22 horas, e isso é importante para pessoas desesperadas com o mémoire como eu e que não conseguem estudar em casa. Uma boa dose de riso é também outro fator importante...hehe
Gente eu vejo cada coisa estranha naquela biblioteca, que a medida que o tempo passa acho que não estou mais me sensibilizando com as maluquices do pessoal de lá... e olha que não é pouca coisa não!
Ontem vi uma menina digitando um trabalho numa tela minúscula, acho que de uns 15 centímetros!!! nunca vi nada igual, a pobre só faltava enfiar a cabeça na tela para enxergar o que escrevia. Bom, também pode ser que ela tenha uma boa visão... pensei, sorte dela! 
Outra coisa estranha, é um cara que vai lá toda semana vestido com uma túnica preta, uma cartola na cabeça, uma bengala e um "bigodinho" desenhado no rosto...é mole? a primeira vez que o vi, achei que ele ia à um baile a fantasia, tinha achado engraçado mas nao liguei muito, mas eis que agora encontro o dito cujo todos os dias na cafeteria, com a mesma vestimenta e o mesmo "bigodinho" bizarro...e ainda com um ar de nobre! Attention! 
Apesar de certas coisas estranhas gosto de estudar lá, com a vantagem de poder conviver com todo o tipo de gente, de todas as classes sociais, de tantas ideologias e visões diferentes.
Vai aí uma boa dica pra quem quer estudar e rir "de temps en temps" :-)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um domingo em Giverny

Neste domingo fomos conhecer a casa e o jardim de Claude Monet. Confesso que fiquei impressionada com a beleza daquele lugar... Logo que você entra na cidade ja percebe a sua singularidade. As casas tem todo um charme incomum, os jardins delas parecem terem saido de algum filme, as ruazinhas estreitas denotavam acolhimento, e as paisagens magníficas acompanhada de um sol maravilhoso tornou nosso passeio ainda mais especial.
Compramos os bilhetes e entramos, achei que fosse encontrar um jardim como qualquer outro aqui da França, visto que ja visitei vários e achei que este seria parecido, ou no mesmo gênero, no entanto, foi diferente.




Os jardins estavam cheios de lindas flores, de vários tipos, cores e aromas, que juntos se transformavam em um perfume agradável de começo de primavera. Na casa de Monet, vimos muitos objetos que pertenciam à ele, os quadros mais famosos (nao originais), fotos dele (quase sempre com um charuto na boca) e no andar de cima da casa temos a visao panorâmica do jardim:



Cada paisagem me lembrava um quadro, e acho que foi isso que mais adorei, ser transportada para outro mundo, o mundo impressionista de Claude Monet. 

Uma escala obrigatória, sem dúvida, e mais uma pra minha lista de preferidas.




sexta-feira, 16 de abril de 2010

Elle s'appelai Sara...


"Elle s'appelait Sara", e seu titulo em português "A Chave de Sarah", é a história emocionante de uma garotinha judia vítima do holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. No verão de 1942, Sara e sua família são acordados por fortes batidas na porta, é a policia francesa, que vêm buscá-los para levá-los ao « vélodrome d’Hiver » (velódromo de Inverno), onde ficarão algum tempo em condições sanitárias difíceis, sem alimentação, e desumanizados de toda dignidade humana. Muitas dessas famílias serão depois levadas à Auschwitz e mortas em câmeras de gás.
Sara tem apenas dez anos na época, e, antes de acompanhar os policiais, esconde seu irmão de quatro anos num armário e promete voltar para buscá-lo. O que veremos depois é a saga de uma criança, que se torna em um curto espaço de tempo numa mulher, tentando fugir do campo de concentração, para voltar ao apartamento e tirar seu irmão do armário.
"Elle s’appelait Sara" é um livro emocionante, cheio de história, de esperanças e desilusões, sofrimento e generosidade. Este é um livro que aviva nossa memória e nos faz lembrar o calvário que viveram milhares de famílias judias durante a Segunda Guerra. Sobretudo, este livro nos faz repensar a história e enxergar alguns pontos obscuros que tanto a escola como a sociedade insistem em deixar um pouco "adormecidos".
A um momento da narração temos a impressão de estar com ela, naquele verão de 1942, no "Vélodrome d’Hiver". 

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Começando...


Bom, como tudo sempre tem um começo, eu não poderia deixar de começar meu blog que há tempos já estava materializado na minha cabeça, mas sempre faltava uma coisa: iniciá-lo.
Confesso que sempre tive a vontade de fazer um blog, mas nunca tive a "coragem" de escrever tudo o que sentia e pensava, e agora, "tout d'un coup" sinto esse desejo, porquê? não sei explicar exatamente, mas tenho uma idéia: logo logo, ainda este mês completo 27 aninhos, e talvez com a idade perto de ganhar ou perder (como quiserem) mais um ano, senti a necessidade de mudar, de colocar as coisas pra fora, de dizer o que eu penso, contrastar idéias, falar um pouco da experiência de morar fora do meu "Brasil brasileiro" já há três anos. Três anos estes em que vivi altos e baixos, tive momentos tristes em que pensava o que tinha vindo fazer aqui, e outros em que a vida mostrava sua magia e me trazia surpresas maravilhosas, que continuo a viver até hoje e as quais agradeço e irei agradecer eternamente. Gostaria de compartilhar com vocês um pouco da aventura que vivo aqui todos os dias, dar dicas que considero importantes, lugares a visitar ou mesmo falar de tudo e nada ao mesmo tempo: também acho que isso é importante nao? 
Donc, à bientôt les amis!